terça-feira, 17 de novembro de 2015

O amor cura tudo.

Fui mãe muito nova, adolescente ainda.
Fui mãe ainda estava a estudar.
Fui mãe na epoca em que joguei pela segunda vez pela selecção nacional (futebol).
Fui mãe no meu último ano de pioneira nos escuteiros.
Fui mãe quando me estava a preparar para concorrer à força aérea.
Fui mãe com dezoito anos e nem fazia a menor ideia do que a maternidade era.
Fui mãe e todos os meus planos tiveram de mudar.
Não foi fácil,nada mesmo. Quando descobri já tinha 16 semanas, e já nada podia fazer para o evitar ( e mesmo que pudesse jamais o faria.) foi um choque,caí de umas escadas quando abri o envelope que tinha o resultado do teste, mandado fazer pela médica sem eu saber. A primeira pessoa em que pensei foi na minha mãe,como lhe iria contar que teríamos de adiar todos os sonhos que tínhamos discutido para o meu futuro,que teríamos de mudar o rumo da minha vida para cuidarmos de outra. Eu,a filha em que ela depositou tanto tempo e dinheiro tinha feito asneira.
Chorei muito,chorei horrores pois sabia que lhe ia partir o coração. Contei ao pai do R,a avó paterna,a minha irmã mais nova, foram os primeiros a saber. Não deviam,devia ter sido ela. Mais uma asneira. Durou dois dias esta angústia,e uma mãe nunca se engana. Ela já o sabia,quando abri a boca para lhe contar ela disse o primeiro. E chorou muito,ficou desolada. Quis matar se,não queria acreditar. Quase a perdi. Ficou muito magoada, e durante 38 semanas e 2 dias pouco ou nada me falou. Mas mimava me,construiu o meu enxoval sozinha não me faltou nada. Quando o R nasceu eu tinha tudo do bom e do melhor para o receber. A minha gravidez não foi feliz,enjoei desde o primeiro mês até ao último dia (fui ao médico porque pensei que estava mal do estômago,e por isso a médica mandou fazer o teste) emagreci 3 kilos num mês,mas depois ganhei 20. Era uma miúda e estava aterrorizada e sabia que não estava preparada,mas tinha de estar. Mesmo magoada comigo,nunca me virou as costas.. Estava a dar me uma lição. O silêncio que me estava a oferecer era a minha pior dor, gostava que tivesse gritado comigo,preferia .. Do aquele silêncio,aquele desprezo. Custou nos às duas. Senti na pele o sofrimento de uma mae... Da minha mãe. Tudo isto,porque não era este o futuro que ela queria para mim ( hoje sei o que isso é) o sentimento de inutilidade,o que tinha feito ela de mal. Nada. Eu é que fiz.
O R nasceu dia 9\12 as 2i38 da manhã,e ela estava lá fora à espera, não arredou pé dali até o ver. E quando o viu por aquela janela implorou à enfermeira que lhe deixasse dar lhe um beijo, e aquele anjo a ver a alegria daquela avó deixou. Quebrou as regras mas fez alguém muito feliz.. E às vezes na vida,é preciso pensarmos com o coração.
O R nasceu e naquele dia a minha mãe renasceu também. O bater do coração do R curou lhe a mágoa, cicatrizou a ferida que eu lhe tinha posto no peito.
Agora percebem de onde vem tal cumplicidade? Eles pertencem se.. Completam se.. Ele voltou a juntar nos.
O abraço dela depois daquela noite,curou me a mim. Deixei de sentir dor.
A minha mãe voltou a sorrir me. Ensinou me a ser mãe,a ser a mãe do R.
Obrigada mãe. Obrigada avó. Por nunca desistires de nós.
Amo te mãe.


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